29 March, 2010

ARIOVALDO RAMOS

Confesso que a leitura do texto “A Farsa Integral de Ariovaldo Ramos” deixou-me bastante intrigado, o que me levou a fazer uma breve pesquisa no Google, antes de tomar qualquer posicionamento sobre o assunto. Portanto, o que exponho abaixo são reflexões pessoais sobre declarações públicas do próprio Sr. Ariovaldo Ramos.

A primeira coisa que encontrei foi uma entrevista publicada pela revista Época - edição 210 de 27/05/2002 - http://epoca.globo.com/edic/210/entrevistaa.htm, na qual, pelos questionamentos feitos pelo entrevistador, ficou evidente a má intenção de expor todos os “evangélicos” ao ocorrido com a igreja Renascer, em matéria de capa, veiculada na edição anterior desta mesma revista, com o título “Os Caloteiros da Fé”.

Diante de fatos alheios, a afirmação pública de sua crença seria a única alternativa para um digno pastor batista e, sem entrar no mérito, tinha o dever de lembrar que homens erram e, quando erram, são julgados por uma autoridade competente - o que por si já bastaria para por fim à conversa.

Mas não foi isso o que aconteceu, observe-se que o Sr. Ariovaldo Ramos preferiu seguir a mesma linha versada pelo entrevistador, a da generalização, incutindo a um grupo chamado “neo-pentecostais” uma visão materialista que respaldaria suposições de desvio de dinheiros em igrejas, para proveitos próprios de seus líderes. Oportunamente, defendeu sua posição declaradamente socialista, afirmando que a teologia protestante tem como objetivo a construção de uma “nova sociedade”, que não deve estar inserida no sistema capitalista. Em outras palavras, afirmou que houve corrupção e isso se deu porque os neo-pentecostais são capitalistas.

ÉPOCA – No que a pregação dessas igrejas difere da apresentada pelos neopentecostais?
Ramos – Essas novas denominações evangélicas normalmente buscam seus fundamentos na Teologia da Prosperidade (...). Trata-se de uma teoria que defende de forma radical o princípio de que o cristão tem de ser abençoado com bens materiais. Esse elemento, que já existia na Teologia Protestante original, tornou-se o elemento central dessa nova Teologia da Prosperidade.

ÉPOCA – E qual é o problema desse discurso?
Ramos – Há pelo menos dois equívocos. Primeiro, ao concentrar suas esperanças em si próprio e na obtenção de bens imediatos, o cristão adepto dessa teoria normalmente deixa em segundo plano objetivos que para a Teologia Protestante são prioritários, como a construção de uma nova sociedade. Há outra crítica. A Teologia da Prosperidade está inserida no sistema capitalista, que prega a acumulação, a exploração do homem pelo homem. Esse sistema tem de estar sob vigilância e não ser referendado.

No entanto, não é a pouca sabedoria daquele entrevistado que mais se destaca, antes disso há demonstração de idéias bem enganadas quanto aos princípios que fundamentam não apenas a instituição "igreja evangélica protestante", mas também o próprio Estado de direito. Primeiro que a livre associação é direito fundamental, inviolável por essência, encartada no artigo 5º, XVII da Constituição Federal. Em segundo lugar, equivocou-se novamente ao afirmar que o movimento protestante buscou a livre interpretação da bíblia, mesmo porque não existe “interpretação da Bíblia”, a Bíblia é objetiva e interpreta-se a si mesma, basta ao homem compreender a ordem divina disposta na Bíblia, afinal, qualquer tipo de interpretação é subjetiva – defendeu sim o “livre exame/acesso à Bíblia”. Isso é que é "o tiro sair pela culatra", piorou mais ainda a situação... Segue abaixo o trecho ao qual me refiro:

ÉPOCA – O princípio da livre interpretação e associação, tão caro aos protestantes, não dá espaço para a ação de muitos aventureiros?
Ramos – Riscos, há. Toda liberdade implica riscos. Mas não significa que devemos rever esse princípio. O que precisamos fazer é começar a discutir os limites éticos da livre interpretação e da auto-regulamentação. Claro que já existem parâmetros estabelecidos pelo Estado. Mas, além desses, precisamos criar os nossos. Será um longo debate. Estamos diante de um grande desafio.

Qual seria então a idéia exposta por Ariovaldo Ramos? A defesa de uma interpretação subjetiva da Bíblia, sob aspectos éticos pré-determinados por uma comissão? Além da abertura de templos sob os rigores de normas impostas pelo próprio Estado?

É...

1 comment:

Samuel Rezende said...

Que a linha resista a tantas alegrias; que a rede tenha espaço suficiente para tantas bençãos; que as águas do mar de Deus refresquem a sua vida.

Do teu irmão em Cristo

Samuel Rezende