22 September, 2008

Como Deus fala?

Deus fala de um modo muito peculiar - SUA VOZ TEM O TIMBRE DA INTIMIDADE.

Sl 32:8 diz: "Guiar-te-ei com meus olhos" - vejo isso como aquelas conversas que a gente tem com quem é íntimo, em que muitas vezes sequer há palavras. Falando de palavras, acho que elas são o gesso da comunicação, exprimem menos do que deveriam e tentamos entender mais do que elas podem dizer...boa comunicação não precisa de palavras, precisa sim de coração e intimidade.

04 December, 2007

Ainda um poema inacabado

Tão bela noite teus olhos desafiam.
És a primeira das estrelas,
Solitária, Inigualável.

Despontas o céu, na porta do abismo.
Lá na beirada do dia.
Aonde poetas não sonham,
nem sábios ousam olhar,

Encontrei-te assim, brilhando,
A luz do dia, cansada, gritava teu nome.
E a noite chegando, tua música cantava.
- O dia poderia enfim descansar,
E a noite então destilar toda sua beleza no infinito.

Ainda não, ainda.
Entre o dia e a noite, a vida,
horas que enfim terminam.
Como o poema inacabado.
Pelas estrelas que não vemos
até que a noite chegue.

29 June, 2007

Sacrifício - Gn 22:2


















Assusta-me sentir o frio desta pedra na qual estou deitado, e seu gélido pavor penetra no mais profundo da minha alma, fazendo-me tremer o corpo inteiro.
À minha frente apenas o céu.
Sua quietude aumenta meu desespero nisso que não vejo de tão imenso, que é o infinito adiante.
Eu sei, estou na palma da mão do próprio Deus.

Deste mundo, duas coisas me revelam que ainda não morri: o vento, próximo e distante, movendo-se rápido pelas montanhas, lembrando que o tempo não parou, por enquanto; e as batidas rápidas do meu coração, audíveis, tamanho silêncio me envolve.
É só o que me lembra vida, nada mais.

Desejei estar aqui, frente a frente Contigo.
Tantas vezes lhe chamei O nome, mas agora estou querendo fugir, pular desta pedra e me esconder de Tua face, por quão terrível és.
Tanto mais perto de Ti estou que me vejo aos poucos morrendo; nu e aflito por falta de qualquer anseio no qual eu ainda possa me segurar.

No entanto, as coisas perderam seus valores.
“Eu Confuso”, procurando existir, querendo morrer.
Assim eu vou vivendo e morrendo cada dia em Tua presença.

22 May, 2007

João 8:31 e 32

“(...)Se vós PERMANECERDES na minha palavra, VERDADEIRAMENTE SOIS MEUS DISCÍPULOS; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (...)”.

Se realmente vivemos a vida dos Justos, fundamentada na Fé que é superior aos próprios entendimentos sobre as coisas, precisamos desesperadamente aprender a ser como Cristo é – precisamos ser constantes nas motivações, sendo firmes nas escolhas e, desde que certas, sermos os mesmos ontem, hoje e sempre.

Aconteça o que acontecer, antes das ondas sentimentais que batem no barco, antes do chão abalar em terremotos de inseguranças e antes dos furações das mudanças que costumam jogar nossas vidas ao chão, deve-se aprender a ser constante.
O barco pode virar, o chão pode tremer e tudo pode cair, mas jamais devemos estar apoiados nestas variações corriqueiras da vida dita “normal”.

É Esperar contra qualquer esperança que vai Honrar a Palavra de Deus a nós Revelada.

16 March, 2007

Outros Céus e o céu de Constantino.

Crês, o Sol resplandece diante de ti,
Descortinado pela altura a que chegaste.
Nada mais se esconde daonde vês.
É o céu visto por Ele mesmo.

Percebeste afinal, não o era oculto.
Estavam seus olhos abaixo do horizonte,
Separavas a ti mesmo por tão pequena linha.
Era o céu, visto de dentro do abismo.

Mas o sol venerado por Constantino,
Dentre as frestas de seu pequeno céu,
Obscurece, por suas retinas viciadas,
a vista que o Sol ilumina.

22 February, 2007

Um Poema Inacabado

Sobre o amor, querida.
Quem dera ilusão fosse.
E teus olhos tristes, cortinas entreabertas,
Não guardassem outro amor desiludido.

Quem dera teu sorriso,
Espantando a confusão de teus enganos,
te mostrasse de que é feito o amor.
Diante dele, Ilusão que fosse,
não passaria do que realmente é
- mera sombra inofensiva.

Então, de mãos dadas,
poderiamos nos iludir também
com a doce visão do que não somos.

16 February, 2007

O Fim da Rua

Visão de Deus...
milhares de CNPJs espalhados pela terra.
Mas aquela igreja pequenininha no fim da rua,
só Deus sabe...
Ainda bem.

22 January, 2007

Só falta o Amor

Posso compreender mistérios e planos divinos.
Dizer palavras e guiar alguém perdido.
Possuir o conhecimento dos sábios.
Posso treinar habilidades.
Ser afortunado em dons.
A minha convicção pode converter multidões.
A minha fé pode realizar maravilhas.
Minha boca pode transmitir profecias,
Minhas mãos podem curar.
Calejar os pés evangelizando.
Posso ser amável, sendo bom.
Contudo, sem Amor, eu sou o metal ressoando,
Incompreendido. Perdido.
Repetindo sabedorias e experiências de outrem.
Compreendendo o mistério, escolheu sua própria convicção.
Diante de Deus, preferiu a divindade.

_____________________________________________
A diferença entre o ministro e o músico é o Amor.
A diferença entre o mestre e o professor é o Amor.
A diferença entre o servo e o escravo é o Amor.
A diferença entre o pastor e pastor é o Amor.
Enfim, a diferença é o Amor.

28 December, 2006

Ao Ano Passado

Se tivesse que passar a conta do que aprendi em 2006 seria assim:

- Devo questionar minhas dúvidas tanto quanto minha fé;
- Não consigo fazer esta viagem sozinho;
- Devo permitir que o bem exista tão profundamente quanto o mal (o segundo normalmente é rápido e fácil, posto que é natural);
- Simplificar cada vez mais;
- Algumas coisas me permitem sentir o prazer de Deus;
- Não posso me envergonhar do Evangelho de Cristo;
- Preciso lembrar mais que mesmo os que me irritam foram escolhidos e são amados por Deus;
- Devo continuar perdoando aqueles que me causam feridas e me impedem de ser pleno;Preciso aprender a Amar.

Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é Santo: “Habito num alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração contrito”. Isaias 57:15

FELIZ ANO NOVO!!!
http://www.youtube.com/watch?v=ZmJfnOf1izg

26 December, 2006

Um Feliz Natal...

Quem sabe um dia eu também consiga abrir mão da minha “glória” e me fazer de menino, ser um homem como qualquer outro e deixar de lado este “semi-deus” na terra, este nobre evangélico, convertido, de malas feitas para o céu, esperando.
Quem sabe um dia eu abra mão do que eu posso fazer e venha a escolher o que eu realmente devo. Quem saiba um dia eu consiga pagar o preço por alguém, quem saiba eu consiga amar de verdade. Quem saiba eu coloque em prática toda esta teoria que eu já conheço muito bem e compreenda o significado do que fizeste.
Neste dia eu lembrarei não de um menino pobrezinho na manjedoura, mas de um Deus todo poderoso que escolheu abrir mão de seu infinito, que me mostrou que é possível seguir seus passos e que estamos vivos para morrer pela salvação do mundo.

21 December, 2006

NEÓFITO, CUIDADO COM OS BONS

Muitos irão sorrir para você, poucos se alegrarão contigo.
Muitos lhe apertarão a mão, quase ninguém irá caminhar ao seu lado.
Todos serão bondosos, mas poucos serão bons.
Daqueles que falarão de Deus, uma ínfima parte saberá quem Ele é.
Seja como a criança: tenha medo de santos.
São estátuas assombrosas.

11 December, 2006

A SEDE

Às vezes o gosto, gole desejado.
Lembrança outrora regozijada.
Ainda o embaraço dispensado,
E aquela emoção não-destilada

De repente o Amor sacrificado,
És a mão seguindo-me cortejada.
E ao meu coração ora purificado,
Teu vício é razão justificada.

Traduziste meu prazer em procura.
Fizeste minha sede em loucura.
E assim revelaste minha secura

Da água que me deste renasci.
Na vida que fizeste saciei.
E nunca mais tive sede alguma.
_______________________________________
João 4:13 - 14 “Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede”.

17 November, 2006

Aos meus inimigos

Além do barulho do vento, trazendo o cheiro forte de sangue, ouço os gemidos distantes daqueles que provocaram o Senhor dos Exércitos. Antes os gritos de escárnio, agora, meros gemidos de morte.
Há pouco eu estava entre as fileiras, ouvindo os gritos daquele homem que se empunha sobre o exército do Senhor, desafiando alguém com quem pudesse lutar, apostando a excessiva confiança dos que têm certeza da vitória. Certamente o gigante de quase três metros de altura jamais tivera encontrado a derrota, tamanha força e experiência em batalhas, o que fazia de suas vitórias conseqüências lógicas de sua consistência.
Muita força, no entanto, ele se levantara contra o povo do Senhor dos Exércitos, o povo do Homem de guerra que não deixaria seu povo ser humilhado pelos Filisteus que naquele momento zombavam.
A minha certeza estava no Deus mais forte e mais poderoso que aquele simples homem, que nada seria perante o Senhor. E confiei que eu poderia realmente ser instrumento de Deus humilhando a aqueles homens, era a única coisa que eu pensava – Deus não está contente com aquela situação.
Rapidamente pulei adiante da tropa já tirando a primeira pedra do alforge, que cuidadosamente coloquei na funda – poucas seriam minhas chances, sem nenhum preparo de batalhas, além dos treinamentos com feras. Qualquer pessoa normal veria as possibilidades e naturalmente fugiria do desafio, sendo perfeitamente compreensível vendo que a razão afirmava ser um suicídio, ainda mais na minha loucura, ao enfrenta-lo com pedras na mão, só pedras.
O gigante corria em minha direção, mas eu o olhava com a funda girando, calmo, esperando o momento certo – a batalha seria breve, ambos sabíamos disso.
O girar da funda parecia soar como um grito ao vento. Rapidamente lancei a pedra, que
afundou na testa no gigante, fazendo-o cair desmaiado. Não perdi a chance, corri em sua direção até alcançar sua espada, tirei de mim toda força quando a desferi contra o pescoço do gigante, cortando-lhe a cabeça.
O sangue jorrou como um rio sobre o chão. E o silêncio da surpresa de todos brevemente foi interrompido pelos gritos do inimigo fugindo desesperado ao ver seu herói envergonhado às mãos de alguém tão pequeno quanto eu. Logo percebi a ordem de ataque dos comandantes.
Em pouco tempo todos os Filisteus estavam mortos, jogados à podridão do campo.
Confesso que o cheiro do sangue quente misturado à terra me atraia a atenção e exprimia em mim um longo grito de Vitória, que se repetiu por muito tempo, enquanto eu desfilava com a pesada cabeça do gigante.
Muitos ainda têm se levantado, seus estandartes são o medo que podemos ter perante os fatos tão naturais da realidade quotidiana. Basta eu entender que o desfio do gigante em minha frente, tão real e assustador, é apenas mais uma batalha, das tantas já vencidas do impossível contra real.
Quanto a mim, permaneço segurando aquela cabeça pesada, ainda sentindo o cheiro forte do sangue que escorre na terra.
Eu venci! E olhando os corpos ao chão penso - seja quem for o próximo, terá o mesmo fim. Que meus inimigos jamais se esqueçam disso, porque eu não irei.

08 November, 2006

Caçadores de Deus

Quanto a busca de Deus, deveríamos percebe-lo como um Ser muito superior que de muitas formas tenta se comunicar conosco, alguém tão inimaginável em tamanho e poder que sente dificuldades de comunicação com seres tão pequenos e ignorantes, nós.

Vejo Deus procurando formas de se aproximar sem que venhamos a nos assustar, de nos falar o que pensa sem que nos percamos. Alguém que gostaria de nos contar como fez o universo e como foi seu primeiro “dia” na criação, que gostaria de falar sobre como nos viu pela primeira vez lá no ventre de nossas mães, e sonhou – sendo que, aliás, momentos de um todo que Ele contempla neste exato momento; passado, presente e futuro; Ele ainda me vê criança e também já o velho que serei um dia.

Deus certamente gostaria de falar sobre tantas coisas de tudo o que sabe sobre nós, sobre o que está para acontecer, mas de que adiantaria, não entenderíamos uma vírgula, nem sua voz compreenderíamos – a Bíblia está forrada de momentos em que Deus tentou nos comunicar, mas em todos o frustramos.

"Mas o meu povo não ouviu a minha Voz, e Israel não me quis. Pelo que Eu os entreguei à obstinação dos seus corações (...) Oxalá me escutasse o meu povo! (...) Em breve eu abateria seus inimigos e voltaria minha mão contra seus adversários (...) Eu te sustentaria com o trigo mais fino, e com o mel saído da rocha eu te saciaria."
Salmos 81:11 - 16.

Pensando assim, compreendo que não somos nós os Caçadores de Deus, e sim a caça - desejo dEle.

20 October, 2006

Amar é escolher a dor que não se quer sentir.
É fechar os olhos enquanto se pode ver.
Tentar compreender,
quando tudo o que se quer é sentir e ver,
quando os olhos já não bastam para observar,
nem as palavras para dizer.

Nasce na entrega do que não se tem,
sobrevive na condição irrefutável do ser em estar junto.
É dádiva de Deus.
Acontece na procura pelo estar perdido
e existe enquanto estiver nos braços de Deus, seu inventor.
Não vem de nós mesmos.

Se amo, perco.
Pois na vida eu só tenho aquilo que deixo.

11 October, 2006

Ainda Viktor Frankl...

"Um pensamento me traspassou: pela primeira vez em minha vida enxerguei a verdade tal como fora cantada por tantos poetas, proclamada como verdade derradeira por tantos pensadores. A verdade de que o amor é o derradeiro e mais alto objetivo a que o homem pode aspirar. Então captei o sentido do maior segredo que a poesia humana e o pensamento humano têm a transmitir: a salvação do homem é através do amor e no amor. Compreendi como um homem a quem nada foi deixado neste mundo pode ainda conhecer a bem-aventurança, ainda que seja apenas por um breve momento, na contemplação da sua bem-amada. Numa condição de profunda desolação, quando um homem não pode mais se expressar em ação positiva, quando sua única realização pode consistir em suportar seus sofrimentos da maneira correta - de uma maneira honrada -, em tal condição o homem pode, através da contemplação amorosa da imagem que ele traz de sua bem-amada, encontrar a plenitude. Pela primeira vez em minha vida, eu era capaz de compreender as palavras: 'Os anjos estão imersos na perpétua contemplação de uma glória infinita'."

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15 August, 2006

Quem é o meu Deus senão aquele que me prepara uma mesa de banquete, para meu deleite, na presença dos meus inimigos.
Quem é meu Deus senão aquele que me faz descansar no meio da batalha,
aquele que me dá tranqüilidade nos momentos em que muitos, e até mesmo eu, cairiam por conta dos medos e inseguranças.
Que me ensina a dormir diante das dificuldades e desfrutar os braços dEle como Pai, que está pronto a me segurar enquanto eu não sei andar.
Quem é meu Deus senão aquele quem me dá Força exatamente por eu ser fraco e estrutura exatamente quando nada mais pode segurar minha vida, nem minhas atitudes e escolhas, mesmo as erradas.
Ele é aquele que me honra com Justiça e na prova das minhas obras sabe instruir,
é aquele que prepara,
que me faz amadurecer em conhecimento e sabedoria, transformando-me em Homem Perfeito – maior interesse dEle.
Ele é aquele que, por Amor, me Ama como eu sou, mas não aceita que eu continue sendo o pouco que acho ser e por isso ELE sonha com uma vida maior do que eu imagino, com pensamentos maiores do que os meus e caminhos mais altos do que os meus.
Ele é aquele que tem pensamentos de Paz e Alegria a meu respeito.
Ele é aquele por quem perdi todas as coisas.
Ele é aquele a quem eu AMO com tudo que sou porque eu devo a ELE mais um dia de vida.

07 July, 2006

Falhas na Visão


*Dedico este texto a mim mesmo, amblíope.

“Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja”. (Lc 18:41)

Vejo a mim mesmo lá na sala de casa, em frente à TV; criança, sentado no chão, pernas cruzadas, cabeça arqueada e a boca aberta. No fundo, minha mãe gritando: “não fique perto da TV que você vai ficar ‘bi-cego’” – tarde demais. E só percebi que estava enxergando mal quando coloquei óculos pela primeira vez - é assim mesmo, percebemos a falta dos óculos somente quando usamos um. Naquele momento minha mãe falava dos meus olhos, no entanto ficar perto da TV tem outras graves conseqüências, e não só da TV, mas de qualquer instrumento de massificação/conformação.

Quando penso nas minhas dificuldades em ver o mundo a minha volta na realidade que o sucesso exige, não deixo de criticar também as cegueiras mental, espiritual e sentimental na qual vive a nossa quase totalidade das pessoas. Vejo adultos, a sala, a TV, o chão, pernas cruzadas, cabeças arqueadas, bocas abertas – deficientes visuais, comportamentais, espirituais e emocionais.

Voltando ao assunto, talvez pareça exagero, mas atrair alguém para a frente de sua televisão é sim a maior conspiração já promovida contra a raça humana. A intenção clara é distorcer valores fundamentais e doutrinar pessoas a curvarem-se diante dos próprios umbigos, querendo para si a vida daquele(a) galã/ “galinha” – já se imaginou naquele carro? Aquela casa? Aquelas paixões de rasgar as roupas e quebrar os móveis da casa? Enfim... restaurantes caros, roupas sensuais, corpos dourados na praia da tarde de quarta-feira; Adultério, corrupção, “caixa 2”, mentiras e outras insanidades que nos passam à normalidade da vida real, visto que já estão fora das novelas, estão em toda parte. Consideremos sempre a surpreendente criatividade da fome sentimental do ser humano.

Emoção é a chave dos corações da massa. O povo precisa de sentimentos – aqui sentimento confundido com emoção; um manequim-mecânico para elas e uma mulher escultural para eles – e a vida toma o padrão do que vemos na mídia e que, pelo mesmo molde, procuramos ter em nossa realidade. Deixa-se de amar a mulher porque ela não tem aquele corpo/quadril, ou a ele porque não tem a mesma barriga do personagem da TV. Aprendemos a amar os exemplos que nos foram incutidos como ideal, e assim nascem nossas escolhas.

Lembro que o sentimento segue aquilo que amamos, como disse Olavo de Carvalho, e “se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer dos dois, é preciso aprender a escolher os objetos de amor -- e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se isto dependesse de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas para sempre”.

A pergunta que fica é: como você está vendo?
Pois o que você vê, em sentido amplo, está ligado às emoções que você busca (à sede que tem), e estas lhe conduzirão aos seus pensamentos, ao conhecimento, escolhas e amores.

O problema está na contradição entre o que se procura viver e a maneira como ainda enxergamos o mundo a nossa volta - enquanto lutarmos para viver uma vida cristã forçando os olhos para conseguir ver hábitos de costume no mundo, teremos graves defeitos visuais, distorções e canseiras na Verdadeira Visão - assim poderíamos observar miopias, hipermetropías e astigmatismos em diversos níveis, do espiritual ao sentimental.

Hoje eu caminho sabendo que tudo a minha volta está deturpado pela minha dificuldade visual, por isso ando devagar, cuidando para não cair em meus próprios amores.
Senhor, que eu veja!...

“Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?” – Lc 6:39

05 July, 2006

Neófito, cuidado com os bons!

Muitos irão sorrir para você, poucos se alegrarão contigo.
Muitos lhe apertarão a mão, quase ninguém irá caminhar ao seu lado.
Todos serão bondosos, mas poucos serão bons.
Daqueles que falarão de Deus, uma ínfima parte saberá quem Ele é.
Seja como a criança: tenha medo de santos. São estátuas assombrosas.

26 June, 2006

TUA SEDE

Se és pó, tua alma geme como o vento.
Triste. Desenhando montanhas de areia,
Aquelas que nunca chegam a existir.

Em teu deserto ainda caminhas.
Como eu, sabes o que deves procurar.
Sentidos, sentidos. Apenas seguir.

Mas como amigo devo dizer,
Nada encontrarás no deserto.
Além do próprio pó. És o pó.
Apenas a ti mesmo verás.

Deuteronômio 8: 2-4.
“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os Seus mandamentos, ou não”.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”.


[Deus sabe o que há no coração de seus filhos, mas eles, em seus próprios, não... As dificuldades não são provas reais da capacidade dos homens a Deus (Ele já a conhece), mas a eles mesmos, para que todo homem entenda sua real necessidade].