22 February, 2007

Um Poema Inacabado

Sobre o amor, querida.
Quem dera ilusão fosse.
E teus olhos tristes, cortinas entreabertas,
Não guardassem outro amor desiludido.

Quem dera teu sorriso,
Espantando a confusão de teus enganos,
te mostrasse de que é feito o amor.
Diante dele, Ilusão que fosse,
não passaria do que realmente é
- mera sombra inofensiva.

Então, de mãos dadas,
poderiamos nos iludir também
com a doce visão do que não somos.

16 February, 2007

O Fim da Rua

Visão de Deus...
milhares de CNPJs espalhados pela terra.
Mas aquela igreja pequenininha no fim da rua,
só Deus sabe...
Ainda bem.

22 January, 2007

Só falta o Amor

Posso compreender mistérios e planos divinos.
Dizer palavras e guiar alguém perdido.
Possuir o conhecimento dos sábios.
Posso treinar habilidades.
Ser afortunado em dons.
A minha convicção pode converter multidões.
A minha fé pode realizar maravilhas.
Minha boca pode transmitir profecias,
Minhas mãos podem curar.
Calejar os pés evangelizando.
Posso ser amável, sendo bom.
Contudo, sem Amor, eu sou o metal ressoando,
Incompreendido. Perdido.
Repetindo sabedorias e experiências de outrem.
Compreendendo o mistério, escolheu sua própria convicção.
Diante de Deus, preferiu a divindade.

_____________________________________________
A diferença entre o ministro e o músico é o Amor.
A diferença entre o mestre e o professor é o Amor.
A diferença entre o servo e o escravo é o Amor.
A diferença entre o pastor e pastor é o Amor.
Enfim, a diferença é o Amor.

28 December, 2006

Ao Ano Passado

Se tivesse que passar a conta do que aprendi em 2006 seria assim:

- Devo questionar minhas dúvidas tanto quanto minha fé;
- Não consigo fazer esta viagem sozinho;
- Devo permitir que o bem exista tão profundamente quanto o mal (o segundo normalmente é rápido e fácil, posto que é natural);
- Simplificar cada vez mais;
- Algumas coisas me permitem sentir o prazer de Deus;
- Não posso me envergonhar do Evangelho de Cristo;
- Preciso lembrar mais que mesmo os que me irritam foram escolhidos e são amados por Deus;
- Devo continuar perdoando aqueles que me causam feridas e me impedem de ser pleno;Preciso aprender a Amar.

Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é Santo: “Habito num alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração contrito”. Isaias 57:15

FELIZ ANO NOVO!!!
http://www.youtube.com/watch?v=ZmJfnOf1izg

26 December, 2006

Um Feliz Natal...

Quem sabe um dia eu também consiga abrir mão da minha “glória” e me fazer de menino, ser um homem como qualquer outro e deixar de lado este “semi-deus” na terra, este nobre evangélico, convertido, de malas feitas para o céu, esperando.
Quem sabe um dia eu abra mão do que eu posso fazer e venha a escolher o que eu realmente devo. Quem saiba um dia eu consiga pagar o preço por alguém, quem saiba eu consiga amar de verdade. Quem saiba eu coloque em prática toda esta teoria que eu já conheço muito bem e compreenda o significado do que fizeste.
Neste dia eu lembrarei não de um menino pobrezinho na manjedoura, mas de um Deus todo poderoso que escolheu abrir mão de seu infinito, que me mostrou que é possível seguir seus passos e que estamos vivos para morrer pela salvação do mundo.

21 December, 2006

NEÓFITO, CUIDADO COM OS BONS

Muitos irão sorrir para você, poucos se alegrarão contigo.
Muitos lhe apertarão a mão, quase ninguém irá caminhar ao seu lado.
Todos serão bondosos, mas poucos serão bons.
Daqueles que falarão de Deus, uma ínfima parte saberá quem Ele é.
Seja como a criança: tenha medo de santos.
São estátuas assombrosas.

11 December, 2006

A SEDE

Às vezes o gosto, gole desejado.
Lembrança outrora regozijada.
Ainda o embaraço dispensado,
E aquela emoção não-destilada

De repente o Amor sacrificado,
És a mão seguindo-me cortejada.
E ao meu coração ora purificado,
Teu vício é razão justificada.

Traduziste meu prazer em procura.
Fizeste minha sede em loucura.
E assim revelaste minha secura

Da água que me deste renasci.
Na vida que fizeste saciei.
E nunca mais tive sede alguma.
_______________________________________
João 4:13 - 14 “Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede”.

17 November, 2006

Aos meus inimigos

Além do barulho do vento, trazendo o cheiro forte de sangue, ouço os gemidos distantes daqueles que provocaram o Senhor dos Exércitos. Antes os gritos de escárnio, agora, meros gemidos de morte.
Há pouco eu estava entre as fileiras, ouvindo os gritos daquele homem que se empunha sobre o exército do Senhor, desafiando alguém com quem pudesse lutar, apostando a excessiva confiança dos que têm certeza da vitória. Certamente o gigante de quase três metros de altura jamais tivera encontrado a derrota, tamanha força e experiência em batalhas, o que fazia de suas vitórias conseqüências lógicas de sua consistência.
Muita força, no entanto, ele se levantara contra o povo do Senhor dos Exércitos, o povo do Homem de guerra que não deixaria seu povo ser humilhado pelos Filisteus que naquele momento zombavam.
A minha certeza estava no Deus mais forte e mais poderoso que aquele simples homem, que nada seria perante o Senhor. E confiei que eu poderia realmente ser instrumento de Deus humilhando a aqueles homens, era a única coisa que eu pensava – Deus não está contente com aquela situação.
Rapidamente pulei adiante da tropa já tirando a primeira pedra do alforge, que cuidadosamente coloquei na funda – poucas seriam minhas chances, sem nenhum preparo de batalhas, além dos treinamentos com feras. Qualquer pessoa normal veria as possibilidades e naturalmente fugiria do desafio, sendo perfeitamente compreensível vendo que a razão afirmava ser um suicídio, ainda mais na minha loucura, ao enfrenta-lo com pedras na mão, só pedras.
O gigante corria em minha direção, mas eu o olhava com a funda girando, calmo, esperando o momento certo – a batalha seria breve, ambos sabíamos disso.
O girar da funda parecia soar como um grito ao vento. Rapidamente lancei a pedra, que
afundou na testa no gigante, fazendo-o cair desmaiado. Não perdi a chance, corri em sua direção até alcançar sua espada, tirei de mim toda força quando a desferi contra o pescoço do gigante, cortando-lhe a cabeça.
O sangue jorrou como um rio sobre o chão. E o silêncio da surpresa de todos brevemente foi interrompido pelos gritos do inimigo fugindo desesperado ao ver seu herói envergonhado às mãos de alguém tão pequeno quanto eu. Logo percebi a ordem de ataque dos comandantes.
Em pouco tempo todos os Filisteus estavam mortos, jogados à podridão do campo.
Confesso que o cheiro do sangue quente misturado à terra me atraia a atenção e exprimia em mim um longo grito de Vitória, que se repetiu por muito tempo, enquanto eu desfilava com a pesada cabeça do gigante.
Muitos ainda têm se levantado, seus estandartes são o medo que podemos ter perante os fatos tão naturais da realidade quotidiana. Basta eu entender que o desfio do gigante em minha frente, tão real e assustador, é apenas mais uma batalha, das tantas já vencidas do impossível contra real.
Quanto a mim, permaneço segurando aquela cabeça pesada, ainda sentindo o cheiro forte do sangue que escorre na terra.
Eu venci! E olhando os corpos ao chão penso - seja quem for o próximo, terá o mesmo fim. Que meus inimigos jamais se esqueçam disso, porque eu não irei.

08 November, 2006

Caçadores de Deus

Quanto a busca de Deus, deveríamos percebe-lo como um Ser muito superior que de muitas formas tenta se comunicar conosco, alguém tão inimaginável em tamanho e poder que sente dificuldades de comunicação com seres tão pequenos e ignorantes, nós.

Vejo Deus procurando formas de se aproximar sem que venhamos a nos assustar, de nos falar o que pensa sem que nos percamos. Alguém que gostaria de nos contar como fez o universo e como foi seu primeiro “dia” na criação, que gostaria de falar sobre como nos viu pela primeira vez lá no ventre de nossas mães, e sonhou – sendo que, aliás, momentos de um todo que Ele contempla neste exato momento; passado, presente e futuro; Ele ainda me vê criança e também já o velho que serei um dia.

Deus certamente gostaria de falar sobre tantas coisas de tudo o que sabe sobre nós, sobre o que está para acontecer, mas de que adiantaria, não entenderíamos uma vírgula, nem sua voz compreenderíamos – a Bíblia está forrada de momentos em que Deus tentou nos comunicar, mas em todos o frustramos.

"Mas o meu povo não ouviu a minha Voz, e Israel não me quis. Pelo que Eu os entreguei à obstinação dos seus corações (...) Oxalá me escutasse o meu povo! (...) Em breve eu abateria seus inimigos e voltaria minha mão contra seus adversários (...) Eu te sustentaria com o trigo mais fino, e com o mel saído da rocha eu te saciaria."
Salmos 81:11 - 16.

Pensando assim, compreendo que não somos nós os Caçadores de Deus, e sim a caça - desejo dEle.

20 October, 2006

Amar é escolher a dor que não se quer sentir.
É fechar os olhos enquanto se pode ver.
Tentar compreender,
quando tudo o que se quer é sentir e ver,
quando os olhos já não bastam para observar,
nem as palavras para dizer.

Nasce na entrega do que não se tem,
sobrevive na condição irrefutável do ser em estar junto.
É dádiva de Deus.
Acontece na procura pelo estar perdido
e existe enquanto estiver nos braços de Deus, seu inventor.
Não vem de nós mesmos.

Se amo, perco.
Pois na vida eu só tenho aquilo que deixo.

11 October, 2006

Ainda Viktor Frankl...

"Um pensamento me traspassou: pela primeira vez em minha vida enxerguei a verdade tal como fora cantada por tantos poetas, proclamada como verdade derradeira por tantos pensadores. A verdade de que o amor é o derradeiro e mais alto objetivo a que o homem pode aspirar. Então captei o sentido do maior segredo que a poesia humana e o pensamento humano têm a transmitir: a salvação do homem é através do amor e no amor. Compreendi como um homem a quem nada foi deixado neste mundo pode ainda conhecer a bem-aventurança, ainda que seja apenas por um breve momento, na contemplação da sua bem-amada. Numa condição de profunda desolação, quando um homem não pode mais se expressar em ação positiva, quando sua única realização pode consistir em suportar seus sofrimentos da maneira correta - de uma maneira honrada -, em tal condição o homem pode, através da contemplação amorosa da imagem que ele traz de sua bem-amada, encontrar a plenitude. Pela primeira vez em minha vida, eu era capaz de compreender as palavras: 'Os anjos estão imersos na perpétua contemplação de uma glória infinita'."

para ler mais, clique aqui

15 August, 2006

Quem é o meu Deus senão aquele que me prepara uma mesa de banquete, para meu deleite, na presença dos meus inimigos.
Quem é meu Deus senão aquele que me faz descansar no meio da batalha,
aquele que me dá tranqüilidade nos momentos em que muitos, e até mesmo eu, cairiam por conta dos medos e inseguranças.
Que me ensina a dormir diante das dificuldades e desfrutar os braços dEle como Pai, que está pronto a me segurar enquanto eu não sei andar.
Quem é meu Deus senão aquele quem me dá Força exatamente por eu ser fraco e estrutura exatamente quando nada mais pode segurar minha vida, nem minhas atitudes e escolhas, mesmo as erradas.
Ele é aquele que me honra com Justiça e na prova das minhas obras sabe instruir,
é aquele que prepara,
que me faz amadurecer em conhecimento e sabedoria, transformando-me em Homem Perfeito – maior interesse dEle.
Ele é aquele que, por Amor, me Ama como eu sou, mas não aceita que eu continue sendo o pouco que acho ser e por isso ELE sonha com uma vida maior do que eu imagino, com pensamentos maiores do que os meus e caminhos mais altos do que os meus.
Ele é aquele que tem pensamentos de Paz e Alegria a meu respeito.
Ele é aquele por quem perdi todas as coisas.
Ele é aquele a quem eu AMO com tudo que sou porque eu devo a ELE mais um dia de vida.

07 July, 2006

Falhas na Visão


*Dedico este texto a mim mesmo, amblíope.

“Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja”. (Lc 18:41)

Vejo a mim mesmo lá na sala de casa, em frente à TV; criança, sentado no chão, pernas cruzadas, cabeça arqueada e a boca aberta. No fundo, minha mãe gritando: “não fique perto da TV que você vai ficar ‘bi-cego’” – tarde demais. E só percebi que estava enxergando mal quando coloquei óculos pela primeira vez - é assim mesmo, percebemos a falta dos óculos somente quando usamos um. Naquele momento minha mãe falava dos meus olhos, no entanto ficar perto da TV tem outras graves conseqüências, e não só da TV, mas de qualquer instrumento de massificação/conformação.

Quando penso nas minhas dificuldades em ver o mundo a minha volta na realidade que o sucesso exige, não deixo de criticar também as cegueiras mental, espiritual e sentimental na qual vive a nossa quase totalidade das pessoas. Vejo adultos, a sala, a TV, o chão, pernas cruzadas, cabeças arqueadas, bocas abertas – deficientes visuais, comportamentais, espirituais e emocionais.

Voltando ao assunto, talvez pareça exagero, mas atrair alguém para a frente de sua televisão é sim a maior conspiração já promovida contra a raça humana. A intenção clara é distorcer valores fundamentais e doutrinar pessoas a curvarem-se diante dos próprios umbigos, querendo para si a vida daquele(a) galã/ “galinha” – já se imaginou naquele carro? Aquela casa? Aquelas paixões de rasgar as roupas e quebrar os móveis da casa? Enfim... restaurantes caros, roupas sensuais, corpos dourados na praia da tarde de quarta-feira; Adultério, corrupção, “caixa 2”, mentiras e outras insanidades que nos passam à normalidade da vida real, visto que já estão fora das novelas, estão em toda parte. Consideremos sempre a surpreendente criatividade da fome sentimental do ser humano.

Emoção é a chave dos corações da massa. O povo precisa de sentimentos – aqui sentimento confundido com emoção; um manequim-mecânico para elas e uma mulher escultural para eles – e a vida toma o padrão do que vemos na mídia e que, pelo mesmo molde, procuramos ter em nossa realidade. Deixa-se de amar a mulher porque ela não tem aquele corpo/quadril, ou a ele porque não tem a mesma barriga do personagem da TV. Aprendemos a amar os exemplos que nos foram incutidos como ideal, e assim nascem nossas escolhas.

Lembro que o sentimento segue aquilo que amamos, como disse Olavo de Carvalho, e “se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer dos dois, é preciso aprender a escolher os objetos de amor -- e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se isto dependesse de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas para sempre”.

A pergunta que fica é: como você está vendo?
Pois o que você vê, em sentido amplo, está ligado às emoções que você busca (à sede que tem), e estas lhe conduzirão aos seus pensamentos, ao conhecimento, escolhas e amores.

O problema está na contradição entre o que se procura viver e a maneira como ainda enxergamos o mundo a nossa volta - enquanto lutarmos para viver uma vida cristã forçando os olhos para conseguir ver hábitos de costume no mundo, teremos graves defeitos visuais, distorções e canseiras na Verdadeira Visão - assim poderíamos observar miopias, hipermetropías e astigmatismos em diversos níveis, do espiritual ao sentimental.

Hoje eu caminho sabendo que tudo a minha volta está deturpado pela minha dificuldade visual, por isso ando devagar, cuidando para não cair em meus próprios amores.
Senhor, que eu veja!...

“Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?” – Lc 6:39

05 July, 2006

Neófito, cuidado com os bons!

Muitos irão sorrir para você, poucos se alegrarão contigo.
Muitos lhe apertarão a mão, quase ninguém irá caminhar ao seu lado.
Todos serão bondosos, mas poucos serão bons.
Daqueles que falarão de Deus, uma ínfima parte saberá quem Ele é.
Seja como a criança: tenha medo de santos. São estátuas assombrosas.

26 June, 2006

TUA SEDE

Se és pó, tua alma geme como o vento.
Triste. Desenhando montanhas de areia,
Aquelas que nunca chegam a existir.

Em teu deserto ainda caminhas.
Como eu, sabes o que deves procurar.
Sentidos, sentidos. Apenas seguir.

Mas como amigo devo dizer,
Nada encontrarás no deserto.
Além do próprio pó. És o pó.
Apenas a ti mesmo verás.

Deuteronômio 8: 2-4.
“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os Seus mandamentos, ou não”.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”.


[Deus sabe o que há no coração de seus filhos, mas eles, em seus próprios, não... As dificuldades não são provas reais da capacidade dos homens a Deus (Ele já a conhece), mas a eles mesmos, para que todo homem entenda sua real necessidade].

09 June, 2006

Às Águas Tranquilas

Eu estava em alto mar, perigosamente oscilando entre os bruscos e poderosos deslocamentos de gigantescas ondas. O Céu fechado era espelho da agitação que me cercava, porque não dizer, era o espelho da minha alma - eu já não sabia o que fazer.

Mas nenhuma tempestade começa assim, e eu buscava em minha mente as origens daquela dificuldade; lembrei dos primeiros ventos estranhos, depois alguma agitação da maré e pequenas formações de nuvens, mas há alguns instantes tudo passara despercebido. Erro fatal ao pescador desatento, que deve estar certo das águas por onde vive, porque sabe o quanto pode ser perigoso o descuido de não conhecer das variações do tempo e saber tomar as direções mais seguras - nos menores erros estão as maiores quedas.

Gostaria que você, caro leitor, percebesse o quanto foi chamado a ser pescador. Se como nesta vocação souber viver/sobreviver - compreendendo que você pode determinar sobre as tormentas ao saber enxergar os detalhes dos seus anúncios – certamente viverá a verdadeira Paz.

Verdadeiramente é difícil entender a origem dos conflitos. Mas o primeiro erro é o costume de apenas perceber os momentos de dificuldades somente no meio das maiores tormentas, jamais antes delas – não há cuidado por saber qual o próximo momento, nem mesmo de aprender a enxergá-lo. Depois disso, normalmente colocamos toda a culpa em uma essência auto-destrutiva, “gauche”, da alma humana. Mas a grande questão, que procuro levantar, é sobre o relapso demonstrado na total falta de controle da própria vida, este sim o é o grande perigo.

Trazendo a lição dos dias em alto mar, compreendo que o aprimoramento do cristão deve caminhar em direção ao entendimento de que ele precisará estar sempre atento às mudanças dos ventos e às oscilações da maré, e diante delas deve conhecer o melhor caminho, nem sempre o mais agradável, mas sempre o mais seguro. Disso depende o pescador em estar vivo no próximo dia. Aqui, diante da vida, se você decide apenas “deixar as coisas acontecerem” não reclame das dificuldades, pois você mesmo decidiu passar por elas.

O que tenho a dizer sobre isso é que da mesma maneira como o pescador precisa ficar atento às mudanças do tempo para antever as tempestades e vence-las sem as surpresas dos relapsos, o cristão precisa se cuidar da aparência do mal e não se deixar ser levado por ela.
Mesmo assim, muitos preferem chamar os cuidados da contaminação com o mundo de religiosidade, outros rotulam a essência da vida cristã de fundamentalismo/”carolice”. Eu prefiro chamar de excelência, autenticidade, pureza cristã - vida.

É difícil, eu mesmo já caí, e costumeiramente caio no mesmo erro: de não me importar com a sutil proximidade entre o pecado e a minha consciência, ignorando os “pequenos” exageros doutrinários impostos pela chamada igreja dominadora e decadente (o engraçado é que ela é chamada de decadente e dominadora exatamente pelos que não a respeitam e caíram dela, mas isso é outra história), mas o fim disso é uma imensa tempestade que começa exatamente quando me deixo acostumar com o errado – quando muitos preferem crer que sexo fora do casamento é normal (e isso começa quando aceito aquele pensamento tão insignificante e "natural"), e também, no mesmo raciocínio, outras tantas pequenas “normalidades” deste tempo, que acabam por substituir o sagrado (limpo que exige-se estar sempre limpo) pelo sujo.

Filipenses 4:8-9 diz,
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco”
Não se deixe acostumar com o errado – “Abstende-vos de toda espécie de mal” (I Ts 5:22), antes, “Seja a vossa prudência conhecida de todos” (Fl 4:5). Aí então viverá em Paz - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus". (Fl 4:6)

28 April, 2006

A Natureza do amor Humano

Se te despedem os amigos, não liga, são folhas.
Não são derrubadas pelas árvores,
caem sozinhas de nossos outonos, é natural.
Por amadurecidas, prontas para morrer - secas.
Antes, vê o que nasce em novos verões,
das folhas que ainda existirão.
E sim, ame o outono.
Saibas que verás não meras folhas caindo,
mas a beleza do tronco sozinho, não triste, apenas sincero e perene.

E se te calam os amigos, contempla, são belas estrelas.
Contudo, jamais te esqueças de que elas são pequenas luzes num imenso céu.
Escuro e infinito,
e se assim não o fosse, não veríamos estrelas.
Pense que todas as estrelas se apagarão um dia,
mas o céu estará lá, é o que importa.
Continue amando a noite, mas não pares nas estrelas,
veja o céu que as segura, e as estrelas que hoje não vês.

E se acaso existem amigos,
mesmo na aparente palidez do outono,
ou na solitária escuridão de uma noite,
não os ame apenas porque eles assim escolheram.
Jamais ame um merecimento ou algum feito honroso,
ame pela propriedade insana daqueles que gostam de amar alguém.

Caio Kaiel

06 April, 2006

o-puro

Limpei minhas mãos nas coisas que perdi,
purifiquei meu coração nas coisas que me foram tiradas.
Não ter nada é o começo de ter alguma coisa.

31 March, 2006

Sobre o Amor de muitos



Entre falsos profetas, guerras e desastres, dos sinais de Sua vinda, o esfriamento do Amor de muitos é o que me causa maior terror - Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).

Vemos crescer o pecado como algo de certa forma "normal" aos infiéis, e o mal, como característica do “mundo”, é o saco aonde jogamos todas as nossas incertezas e repúdios daquilo que em nossa essência mais gostamos “na carne”, e por medo e insegurança decidimos deixar de lado; mas junto com a corrupção, pornografia e todas as formas de banalização sexual, violência nas ruas e nos lares, entre outros, nos afastamos de algo muito importante, vidas perdidas – ou seja, deixa-se de amar alguém pelo cigarro que fuma, ou pela cachaça que bebe. E, desta forma, o pecado faz separação entre nós e eles, por conseqüência, entre o pecador e Deus – minha culpa.

Em nome da purificação, diante de tantas coisas ruins, acabamos por decidir no isolamento daquele saco que chamamos de "mundo" e das vidas que deixamos lá dentro. Assim, preferimos a “boa vivência” na proteção da ignorância. Contudo, não nos damos conta de que, para início de conversa, fazemos parte deste mundo e, além disso, que estaremos nos inserindo no contexto da iniqüidade corrosiva na medida em que negamos o Amor ao próximo. Mas o próximo é sujo e pecador, é mundo e merece ser cuspido e ignorado pela minha santidade.

Em João 17:15 Cristo pede ao Pai para que não sejamos tirados do mundo, mas que Ele nos proteja do mal, ou seja, é nosso dever estarmos inseridos no mundo, por mais que não façamos mais parte com ele (como diz os versículos 11 a 14 deste mesmo texto). Conclusão é que não fomos convertidos do mundo para sermos isolados dele, mas sermos a Luz de Deus aos amados ainda não encontrados.

Outra coisa, mais estranha ainda, é o esfriamento do amor entre o povo de Deus que, ao contrário de estar correspondendo a ordem divina de amar, está preocupado com as “necessidades pessoais”, “realizações”, “projetos”, “MINISTÉRIOS”, “OBRAS” etc. E o que se pensa é mais importante sobre e o que é devido (amar é cláusula pétrea).

É a iniqüidade deste individualismo que torna os relacionamentos cada vez mais superficiais e cada vez mais efêmeros diante das pequenas dificuldades, esquecendo-se os irmãos que não são os “espinhos” das diferenças que inviabilizam um relacionamento (na verdade, os “espinhos” o amadurecem), o que inviabiliza um relacionamento é o egoísmo, o orgulho e a imaturidade perante o choque do aprendizado gerado pela construção que é o Amor em conhecimento.

Por isso vemos tantas pessoas solitárias DENTRO DAS IGREJAS e jovens que trocam o amor pela frieza e imaturidade de um breve momento superficial. Ou que disfarçam suas solidões e falta de Amor em meio a tanto trabalho a Deus.

- perante o “mundo”, sou puro demais e assim quero crer.
- perante os irmãos, há conflitos almáticos mal resolvidos, intratáveis pela auto-negação.

O Apóstolo Paulo, em I Co 13, fala de um amor paciente, que não se perde diante da primeira crise ou desilusão; bondoso ao próximo, humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, altruísta e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio apenas. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.

22 March, 2006

“Macte nova virtus, puer; sic itur ad astra”: Ânimo! generosa criança, só assim alcançarás os astros”.*

Gideão malhava o trigo no lagar – Juizes 6:11.
Lagar é o local aonde era preparada a uva para o vinho, sendo a eira o local devido è preparação do trigo, local este que deveria ser bem ventilado para separar as sementes das folhas.
É evidente que o trabalho de Gideão no lagar não seguia a lógica funcional, mas uma necessidade – a eira seria muito visível, e os inimigos Midianitas e Amalequitas o veriam e lhe roubariam o trigo, como já faziam há muitos anos.
Mesmo sendo mais difícil e trabalhoso, ele não desistiu da obra e continuou a tarefa de sustentar sua família.
Foi nesta força que Gideão venceu – ele jamais desistiu do que era preciso ser feito, apesar de toda a dificuldade – Juízes 6:14.

No exemplo de Gideão eu vejo princípios que se mostram como necessidades elementares a qualquer pessoa. São fundamentos que estão distantes dos dicionários há muito tempo, entre eles: esforço (que necessariamente precisa acompanhar a determinação), ideal (como algo superior a objetivo de vida), os objetivos devem ser maiores do que um desejo pessoal (visão corporativa) e fidelidade a valores (coisa já esmagada diante de toda a retórica relativista e diversificadora dos nossos dias).

Para ilustrar ainda mais a questão, decidi apresentar algumas citações do Major Marcos Pontes (primeiro astronauta brasileiro) e, analisando a história deste homem, claramente vejo serem repetidos os mesmos princípios que levaram Gideão a libertar seu povo da opressão dos inimigos – já que é tudo questão de princípios, que aprendamos com eles e os apliquemos em nossas vidas, os resultados, Deus garante, serão os mesmos.

Revista Aerovisão n.º 214 – out/nov/dez de 2005

“Vejo esse evento do vôo como algo de grande importância para o país e me sinto feliz por ter sido escolhido e ter as condições e a responsabilidade de executá-lo. Mas eu sou apenas um instrumento. A missão e o país é que são importantes. Eu continuarei a ser o que eu sempre fui: brasileiro, bauruense, filho de Virgílio e Zuleika Navarro Pontes.”

Como eu gostaria de que esta consciência de individualidade e corporativismo, sem desequilíbrios coletivistas, fosse exaltada não só nas igrejas, mas em toda a sociedade brasileira. O exemplo está sendo dado...

“Filho de funcionários públicos, ficava sob a guarda da irmã mais velha para que os pais pudessem trabalhar. Foi aluno de escola pública, fez curso técnico na extinta Rede Ferroviária Federal/Senai e, com o salário de eletricista, terminou o curso de eletrônica”. “Estudar dentro de uma locomotiva durante um teste de motor era uma freqüente e ruidosa opção”.
“Tanto fez, que virou piloto de caça, graças a professores que o ajudaram a superar a falta de dinheiro para pagar um curso preparatório para a AFA (Academia da Força Aérea) em Pirassununga-SP. Na FAB, fez engenharia no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), tornou-se piloto de provas. Em 1996 fez mestrado em Engenharia de Sistemas, no Naval Postgraduate School, na Califórnia (EUA), passo que antecedeu o treinamento de astronauta na NASA, em 1998, em Houston, no Texas”.

Nas citações acima, consegui compreender que muitos princípios pelos quais vivemos estão incompletos. Entre outras coisas, todos somos esforçados, poucos são os esforçados e determinados, algumas pessoas possuem objetivos de vida bem claros, poucas têm ideais com frutos à sociedade e, acima de tudo, a fidelidade aos valores está corrompida pelas exigências de uma sociedade destituída de princípios.
Contudo, diante de toda a corrupção dos nossos dias, vejo que aqueles que se dispõe a serem pessoas baseadas em princípios bíblicos terão suas vitórias pessoais como testemunho do poder de Deus aos homens – muitos já demonstraram isso, de Gideão ao Major Marcos Pontes, a coragem tem sido a maior evidência da fé.

____________________________
Ano passado eu tive a oportunidade de passar alguns momentos com o Major Marcos Pontes e fiquei imensamente honrado em trocar algumas palavras de encorajamento mútuo. Sou testemunha do homem de fé que este homem é.

Agradeço a Deus por ter visto uma luz na escuridão cultural e social pela qual passa este país, além da total falta de fé. Isso aumenta a minha esperança em ver o Brasil como deveria ser – apesar de toda força contrária, que cala o verdadeiro tamanho desta nação – vejo o Brasil maior do que ele se vê, mas muitos não querem que saibamos disso e nos entretém com baboseiras de filosofias falsas e políticas mentirosas.

* “Macte nova virtus, puer; sic itur ad astra”: - Ânimo! generosa criança, só assim alcançarás os astros” (frase extraída do verso 641 IX do poema “Eneida” de Virgílio) – é inspiração ao poeta latino Publius Papinius Statius, que modificando-a escreve “Tobaiada”, de onde foi retirado o lema da Academia da Força Aérea Brasileira – “MACTE ANIMO! GENEROSE PUER, SIC ITUR AD ASTRA” - Coragem jovem! É assim que se sobe aos céus.