26 June, 2006

TUA SEDE

Se és pó, tua alma geme como o vento.
Triste. Desenhando montanhas de areia,
Aquelas que nunca chegam a existir.

Em teu deserto ainda caminhas.
Como eu, sabes o que deves procurar.
Sentidos, sentidos. Apenas seguir.

Mas como amigo devo dizer,
Nada encontrarás no deserto.
Além do próprio pó. És o pó.
Apenas a ti mesmo verás.

Deuteronômio 8: 2-4.
“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os Seus mandamentos, ou não”.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”.


[Deus sabe o que há no coração de seus filhos, mas eles, em seus próprios, não... As dificuldades não são provas reais da capacidade dos homens a Deus (Ele já a conhece), mas a eles mesmos, para que todo homem entenda sua real necessidade].

09 June, 2006

Às Águas Tranquilas

Eu estava em alto mar, perigosamente oscilando entre os bruscos e poderosos deslocamentos de gigantescas ondas. O Céu fechado era espelho da agitação que me cercava, porque não dizer, era o espelho da minha alma - eu já não sabia o que fazer.

Mas nenhuma tempestade começa assim, e eu buscava em minha mente as origens daquela dificuldade; lembrei dos primeiros ventos estranhos, depois alguma agitação da maré e pequenas formações de nuvens, mas há alguns instantes tudo passara despercebido. Erro fatal ao pescador desatento, que deve estar certo das águas por onde vive, porque sabe o quanto pode ser perigoso o descuido de não conhecer das variações do tempo e saber tomar as direções mais seguras - nos menores erros estão as maiores quedas.

Gostaria que você, caro leitor, percebesse o quanto foi chamado a ser pescador. Se como nesta vocação souber viver/sobreviver - compreendendo que você pode determinar sobre as tormentas ao saber enxergar os detalhes dos seus anúncios – certamente viverá a verdadeira Paz.

Verdadeiramente é difícil entender a origem dos conflitos. Mas o primeiro erro é o costume de apenas perceber os momentos de dificuldades somente no meio das maiores tormentas, jamais antes delas – não há cuidado por saber qual o próximo momento, nem mesmo de aprender a enxergá-lo. Depois disso, normalmente colocamos toda a culpa em uma essência auto-destrutiva, “gauche”, da alma humana. Mas a grande questão, que procuro levantar, é sobre o relapso demonstrado na total falta de controle da própria vida, este sim o é o grande perigo.

Trazendo a lição dos dias em alto mar, compreendo que o aprimoramento do cristão deve caminhar em direção ao entendimento de que ele precisará estar sempre atento às mudanças dos ventos e às oscilações da maré, e diante delas deve conhecer o melhor caminho, nem sempre o mais agradável, mas sempre o mais seguro. Disso depende o pescador em estar vivo no próximo dia. Aqui, diante da vida, se você decide apenas “deixar as coisas acontecerem” não reclame das dificuldades, pois você mesmo decidiu passar por elas.

O que tenho a dizer sobre isso é que da mesma maneira como o pescador precisa ficar atento às mudanças do tempo para antever as tempestades e vence-las sem as surpresas dos relapsos, o cristão precisa se cuidar da aparência do mal e não se deixar ser levado por ela.
Mesmo assim, muitos preferem chamar os cuidados da contaminação com o mundo de religiosidade, outros rotulam a essência da vida cristã de fundamentalismo/”carolice”. Eu prefiro chamar de excelência, autenticidade, pureza cristã - vida.

É difícil, eu mesmo já caí, e costumeiramente caio no mesmo erro: de não me importar com a sutil proximidade entre o pecado e a minha consciência, ignorando os “pequenos” exageros doutrinários impostos pela chamada igreja dominadora e decadente (o engraçado é que ela é chamada de decadente e dominadora exatamente pelos que não a respeitam e caíram dela, mas isso é outra história), mas o fim disso é uma imensa tempestade que começa exatamente quando me deixo acostumar com o errado – quando muitos preferem crer que sexo fora do casamento é normal (e isso começa quando aceito aquele pensamento tão insignificante e "natural"), e também, no mesmo raciocínio, outras tantas pequenas “normalidades” deste tempo, que acabam por substituir o sagrado (limpo que exige-se estar sempre limpo) pelo sujo.

Filipenses 4:8-9 diz,
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco”
Não se deixe acostumar com o errado – “Abstende-vos de toda espécie de mal” (I Ts 5:22), antes, “Seja a vossa prudência conhecida de todos” (Fl 4:5). Aí então viverá em Paz - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus". (Fl 4:6)

28 April, 2006

A Natureza do amor Humano

Se te despedem os amigos, não liga, são folhas.
Não são derrubadas pelas árvores,
caem sozinhas de nossos outonos, é natural.
Por amadurecidas, prontas para morrer - secas.
Antes, vê o que nasce em novos verões,
das folhas que ainda existirão.
E sim, ame o outono.
Saibas que verás não meras folhas caindo,
mas a beleza do tronco sozinho, não triste, apenas sincero e perene.

E se te calam os amigos, contempla, são belas estrelas.
Contudo, jamais te esqueças de que elas são pequenas luzes num imenso céu.
Escuro e infinito,
e se assim não o fosse, não veríamos estrelas.
Pense que todas as estrelas se apagarão um dia,
mas o céu estará lá, é o que importa.
Continue amando a noite, mas não pares nas estrelas,
veja o céu que as segura, e as estrelas que hoje não vês.

E se acaso existem amigos,
mesmo na aparente palidez do outono,
ou na solitária escuridão de uma noite,
não os ame apenas porque eles assim escolheram.
Jamais ame um merecimento ou algum feito honroso,
ame pela propriedade insana daqueles que gostam de amar alguém.

Caio Kaiel

06 April, 2006

o-puro

Limpei minhas mãos nas coisas que perdi,
purifiquei meu coração nas coisas que me foram tiradas.
Não ter nada é o começo de ter alguma coisa.

31 March, 2006

Sobre o Amor de muitos



Entre falsos profetas, guerras e desastres, dos sinais de Sua vinda, o esfriamento do Amor de muitos é o que me causa maior terror - Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).

Vemos crescer o pecado como algo de certa forma "normal" aos infiéis, e o mal, como característica do “mundo”, é o saco aonde jogamos todas as nossas incertezas e repúdios daquilo que em nossa essência mais gostamos “na carne”, e por medo e insegurança decidimos deixar de lado; mas junto com a corrupção, pornografia e todas as formas de banalização sexual, violência nas ruas e nos lares, entre outros, nos afastamos de algo muito importante, vidas perdidas – ou seja, deixa-se de amar alguém pelo cigarro que fuma, ou pela cachaça que bebe. E, desta forma, o pecado faz separação entre nós e eles, por conseqüência, entre o pecador e Deus – minha culpa.

Em nome da purificação, diante de tantas coisas ruins, acabamos por decidir no isolamento daquele saco que chamamos de "mundo" e das vidas que deixamos lá dentro. Assim, preferimos a “boa vivência” na proteção da ignorância. Contudo, não nos damos conta de que, para início de conversa, fazemos parte deste mundo e, além disso, que estaremos nos inserindo no contexto da iniqüidade corrosiva na medida em que negamos o Amor ao próximo. Mas o próximo é sujo e pecador, é mundo e merece ser cuspido e ignorado pela minha santidade.

Em João 17:15 Cristo pede ao Pai para que não sejamos tirados do mundo, mas que Ele nos proteja do mal, ou seja, é nosso dever estarmos inseridos no mundo, por mais que não façamos mais parte com ele (como diz os versículos 11 a 14 deste mesmo texto). Conclusão é que não fomos convertidos do mundo para sermos isolados dele, mas sermos a Luz de Deus aos amados ainda não encontrados.

Outra coisa, mais estranha ainda, é o esfriamento do amor entre o povo de Deus que, ao contrário de estar correspondendo a ordem divina de amar, está preocupado com as “necessidades pessoais”, “realizações”, “projetos”, “MINISTÉRIOS”, “OBRAS” etc. E o que se pensa é mais importante sobre e o que é devido (amar é cláusula pétrea).

É a iniqüidade deste individualismo que torna os relacionamentos cada vez mais superficiais e cada vez mais efêmeros diante das pequenas dificuldades, esquecendo-se os irmãos que não são os “espinhos” das diferenças que inviabilizam um relacionamento (na verdade, os “espinhos” o amadurecem), o que inviabiliza um relacionamento é o egoísmo, o orgulho e a imaturidade perante o choque do aprendizado gerado pela construção que é o Amor em conhecimento.

Por isso vemos tantas pessoas solitárias DENTRO DAS IGREJAS e jovens que trocam o amor pela frieza e imaturidade de um breve momento superficial. Ou que disfarçam suas solidões e falta de Amor em meio a tanto trabalho a Deus.

- perante o “mundo”, sou puro demais e assim quero crer.
- perante os irmãos, há conflitos almáticos mal resolvidos, intratáveis pela auto-negação.

O Apóstolo Paulo, em I Co 13, fala de um amor paciente, que não se perde diante da primeira crise ou desilusão; bondoso ao próximo, humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, altruísta e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio apenas. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.

22 March, 2006

“Macte nova virtus, puer; sic itur ad astra”: Ânimo! generosa criança, só assim alcançarás os astros”.*

Gideão malhava o trigo no lagar – Juizes 6:11.
Lagar é o local aonde era preparada a uva para o vinho, sendo a eira o local devido è preparação do trigo, local este que deveria ser bem ventilado para separar as sementes das folhas.
É evidente que o trabalho de Gideão no lagar não seguia a lógica funcional, mas uma necessidade – a eira seria muito visível, e os inimigos Midianitas e Amalequitas o veriam e lhe roubariam o trigo, como já faziam há muitos anos.
Mesmo sendo mais difícil e trabalhoso, ele não desistiu da obra e continuou a tarefa de sustentar sua família.
Foi nesta força que Gideão venceu – ele jamais desistiu do que era preciso ser feito, apesar de toda a dificuldade – Juízes 6:14.

No exemplo de Gideão eu vejo princípios que se mostram como necessidades elementares a qualquer pessoa. São fundamentos que estão distantes dos dicionários há muito tempo, entre eles: esforço (que necessariamente precisa acompanhar a determinação), ideal (como algo superior a objetivo de vida), os objetivos devem ser maiores do que um desejo pessoal (visão corporativa) e fidelidade a valores (coisa já esmagada diante de toda a retórica relativista e diversificadora dos nossos dias).

Para ilustrar ainda mais a questão, decidi apresentar algumas citações do Major Marcos Pontes (primeiro astronauta brasileiro) e, analisando a história deste homem, claramente vejo serem repetidos os mesmos princípios que levaram Gideão a libertar seu povo da opressão dos inimigos – já que é tudo questão de princípios, que aprendamos com eles e os apliquemos em nossas vidas, os resultados, Deus garante, serão os mesmos.

Revista Aerovisão n.º 214 – out/nov/dez de 2005

“Vejo esse evento do vôo como algo de grande importância para o país e me sinto feliz por ter sido escolhido e ter as condições e a responsabilidade de executá-lo. Mas eu sou apenas um instrumento. A missão e o país é que são importantes. Eu continuarei a ser o que eu sempre fui: brasileiro, bauruense, filho de Virgílio e Zuleika Navarro Pontes.”

Como eu gostaria de que esta consciência de individualidade e corporativismo, sem desequilíbrios coletivistas, fosse exaltada não só nas igrejas, mas em toda a sociedade brasileira. O exemplo está sendo dado...

“Filho de funcionários públicos, ficava sob a guarda da irmã mais velha para que os pais pudessem trabalhar. Foi aluno de escola pública, fez curso técnico na extinta Rede Ferroviária Federal/Senai e, com o salário de eletricista, terminou o curso de eletrônica”. “Estudar dentro de uma locomotiva durante um teste de motor era uma freqüente e ruidosa opção”.
“Tanto fez, que virou piloto de caça, graças a professores que o ajudaram a superar a falta de dinheiro para pagar um curso preparatório para a AFA (Academia da Força Aérea) em Pirassununga-SP. Na FAB, fez engenharia no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), tornou-se piloto de provas. Em 1996 fez mestrado em Engenharia de Sistemas, no Naval Postgraduate School, na Califórnia (EUA), passo que antecedeu o treinamento de astronauta na NASA, em 1998, em Houston, no Texas”.

Nas citações acima, consegui compreender que muitos princípios pelos quais vivemos estão incompletos. Entre outras coisas, todos somos esforçados, poucos são os esforçados e determinados, algumas pessoas possuem objetivos de vida bem claros, poucas têm ideais com frutos à sociedade e, acima de tudo, a fidelidade aos valores está corrompida pelas exigências de uma sociedade destituída de princípios.
Contudo, diante de toda a corrupção dos nossos dias, vejo que aqueles que se dispõe a serem pessoas baseadas em princípios bíblicos terão suas vitórias pessoais como testemunho do poder de Deus aos homens – muitos já demonstraram isso, de Gideão ao Major Marcos Pontes, a coragem tem sido a maior evidência da fé.

____________________________
Ano passado eu tive a oportunidade de passar alguns momentos com o Major Marcos Pontes e fiquei imensamente honrado em trocar algumas palavras de encorajamento mútuo. Sou testemunha do homem de fé que este homem é.

Agradeço a Deus por ter visto uma luz na escuridão cultural e social pela qual passa este país, além da total falta de fé. Isso aumenta a minha esperança em ver o Brasil como deveria ser – apesar de toda força contrária, que cala o verdadeiro tamanho desta nação – vejo o Brasil maior do que ele se vê, mas muitos não querem que saibamos disso e nos entretém com baboseiras de filosofias falsas e políticas mentirosas.

* “Macte nova virtus, puer; sic itur ad astra”: - Ânimo! generosa criança, só assim alcançarás os astros” (frase extraída do verso 641 IX do poema “Eneida” de Virgílio) – é inspiração ao poeta latino Publius Papinius Statius, que modificando-a escreve “Tobaiada”, de onde foi retirado o lema da Academia da Força Aérea Brasileira – “MACTE ANIMO! GENEROSE PUER, SIC ITUR AD ASTRA” - Coragem jovem! É assim que se sobe aos céus.

10 March, 2006

Prisioneiros da Esperança (continuação)

"Não lhe disse que, se creres, verás a Glória de Deus?" - João 11:40.
Sobre a Fé, repeti por muito tempo o que me ensinaram. Seria pois condição a certos acontecimentos e, na passagem acima, eu só conseguiria ver a Glória de Deus a partir do momento em que eu tivesse fé suficiente para isso.
Hoje, e diferente disso, penso que Fé é mais do que condição, é instrumento.

João, no capítulo 11, descreve a ressurreição de Lázaro. Cristo, ao saber da doença de seu amigo, permaneceu tranqüilo e afirmou que aquela enfermidade não seria para a morte, mas para a Glória do filho de Deus, Ele mesmo (11:4). Qual foi esta atitude senão loucura para os que o ouviam? A loucura do Filho de Deus que, sabendo intervir nos acontecimentos, mudou a lógica da razão através da mão invisível da Fé.

Cristo tornou confusão todas as coisas sábias e fortes deste mundo (a morte é uma delas) para que sejam envergonhadas pelas loucas e fracas (I Co 1:27) - Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens (I Co 1:25) - nos deixando o exemplo de que a Fé nos é o instrumento determinante no que vivemos como cristãos, muito além do que entendemos ou vemos no mundo pelo que nos é apresentado como real.

Desta maneira, não devemos aceitar a prisão da realidade e, ao contrário disso, pelo cumprimento de nossa missão neste mundo, precisamos transformar o conhecimento do mundo em confusão e vergonha diante da Glória de Deus. Jamais a razão humana poderá ser prisão para a missão de envergonhar as coisas sábias e fortes através de nossas loucuras e fraquezas em Cristo, sendo a Fé o instrumento que, em Deus, daremos cumprimento ao proposto.

No texto, quando Cristo chamou Lázaro para fora da morte, primeiramente agradeceu a Deus, e tinha plena consciência de que tudo aquilo seria para Glorificação de Deus. Jesus ainda demonstrou a amizade entre Ele e o Pai, que sempre o ouve. Logo depois apenas concretizou a Fé neste mundo e chamou a Lázaro - nem consigo imaginar a confusão na cabeça daquela gente, tanto foi que os fariseus se assustaram que resolveram matar Jesus.

Como conclusão, deixo que o Glória de Deus está perto de ti, basta usar da Fé para vê-la e também mostra-la a todos a sua volta – quando entendermos isso, todos verão esta Maravilhosa Glória, mesmo os que não têm Fé.



_________________________________________________
*Muitas lições podem ser tiradas da passagem acima, mas eu ainda gostaria de falar sobre a lição de Maria, irmã de Lázaro.
Com a experiência que ela teve, fora levada a viver a plenitude da Adoração que só existe mediante a ação da Fé – primeiro ela viu a Fé, depois Adorou a Jesus lavando-lhe os pés com o melhor perfume que dispunha – João 12.

Percebendo isso, saberemos que realmente dançamos com anjos, que diariamente podemos falar com o Espírito de Deus como o amigo mais íntimo, que cantamos louvores ao próprio Deus, diante dEle; e podemos mudar montanhas de lugar, abrir mares e aprender a ver a Glória de Deus mais facilmente que a este mundo “concreto” – porque isso tudo é mais verdade do que podemos compreender.

22 February, 2006

Prisioneiros da Esperança



Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje anuncio que te recompensarei em dobro. Zacarias 9:12

O prisioneiro tem sobre si a privação da liberdade. É como a âncora do navio, que o fixa no mesmo lugar, impedindo-o de se movimentar. É para isso que a Palavra do Senhor te chama hoje, a ser prisioneiro de sua Esperança e com as próprias mãos amarrar esta âncora aos pés.

Como conseqüência de uma Fé inabalável, procure expressar a confiança paga a qualquer custo. Digo isso porque os guias do caminho são os princípios inabaláveis, perfeitos e repletos de promessas.

Observe:
Li em Gn 12:1, quando Deus chamou Abrão 1) para sair da terra dele, 2) sair de sua parentela e 3) sair da casa de seu pai – três ordens que levaram Abrão a abandonar, em outras palavras, sustento, títulos e heranças. No entanto, para cada uma das privações de Abrão, Deus retribuiu além do que ele esperava, fazendo dele 1) uma grande nação, 2) alguém abençoado e 3) engrandecido - “engrandecerei o teu nome” (“em ti serão benditas todas as nações da terra”).
Rm 4: 17 – 25 diz:
“Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós.(como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem. O qual, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência; e sem se enfraquecer na fé, considerou o seu próprio corpo já amortecido (pois tinha quase cem anos), e o amortecimento do ventre de Sara; contudo, à vista da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, antes foi fortalecido na fé, dando glória a Deus, e estando certíssimo de que o que Deus tinha prometido, também era poderoso para o fazer.
Pelo que também isso lhe foi imputado como justiça.
Ora, não é só por causa dele que está escrito que lhe foi imputado; mas também por causa de nós a quem há de ser imputado, a nós os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação.”


Isso me lembra que realmente nem todos recebemos o que merecemos, mas sempre recebemos conforme a nossa Fé. Digo-vos portanto, não é apenas a lei de mercado que vai dizer qual será seu futuro profissional, tampouco a lei da natureza que definirá seu par matrimonial. Mas pela graça de Deus, mediante vossa Fé em Seu poder, assim, o céu será pequeno para seus sonhos – Você tem Promessas de Deus? Não desista delas, aconteça o que acontecer, demore o que demorar.

Assim, Fé é cega ao momento atual - com diz em II Co 4:18: “não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas” (ou como C.S. Lewis disse: “tudo o que não é eterno é eternamente inútil”) – o hoje pode até ser desanimador, mas não deixe determinar o futuro neste momento, que é bem menor que o todo da história ainda para acontecer – acredite, você está sendo preparado a ter o tamanho do teu sonho – por isso, não desista.

Mt 9: 27 – 30 “Credes que eu posso fazer isto? Responderam-lhe eles: Sim, Senhor. Então lhes tocou os olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé”.

07 February, 2006

O lado Direito da rua

De casa até o ponto do ônibus, ando diariamente 15 minutos pela Rua Dez. Westphalen. Não sei o motivo, mas foi costume de muito tempo eu atravessar a rua e caminhar pelo lado esquerdo da via.

Há pouco, percebi que as calçadas descuidadas - pedras soltas e esburacadas – estão me proporcionando incômodas dores no tornozelo direito, sei que é estranho, mas me é muito fácil aquele fatídico “virar o pé”, por sua inclinação, sempre o direito.

No início eu não sentia tantas dores, deixei-me testar a paciência e a atenção, mas com o tempo, quando as dores tornaram minha paciência um atrapalho, decidi que eu deveria tomar uma atitude que solucionasse o problema, antes que eu perdesse o pé num dos buracos e a cabeça procurando um culpado.

Por algum tempo percebi o desleixo dos donos de várias partes das calçadas, e me assustei com o tamanho do desafio. São diversas casas, e eu “deveria”, por defesa própria, colocar na cabeça dos distintos vizinhos o quanto a falta deles me era prejudicial – entendi o quanto a responsabilidade individual projeta o “coletivo”, cheguei a pensar em fazer panfletos ou reclamar na prefeitura municipal – desanimei.

Até que semana passada eu resolvi fazer o meu caminho pelo lado direito da rua. Não me perguntem o motivo, mas o lado direito da rua é mais conservado – dei o problema por resolvido ao ver que estou indo para o mesmo lugar, melhor e sem atrapalhos.

Obs. Vejo este como o texto mais espiritual que já postei neste blog. Glórias a Deus!

05 January, 2006

G1

I Co 11:17 - 34
Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, mas para pior. Porque, antes de tudo, ouço que quando vos ajuntais na igreja há entre vós dissensões; e em parte o creio.
E até importa que haja entre vós facções, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor; porque quando comeis, cada um toma antes de outrem a sua própria ceia; e assim um fica com fome e outro se embriaga.


É inegável que as igrejas estão contaminadas pela dissensão. Mas sua expressão é tão bem disfarçada que poucos percebem, e qualquer resistência recebe o castigo dado aos rebeldes. Ela é utilizada das mais variadas formas, buscando-se a diferenciação entre os membros, de maneira que os poucos escolhidos sejam exaltados para uma liderança controladora, sendo por isso um instrumento bastante útil no comando de grandes massas, ferramenta muito eficiente e também usada por tiranos e ditadores na história.

Utilizando-se da ingenuidade das pessoas, implanta-se uma ideologia de servidão (não deve ser confundida com o ato de servir ao próximo, o que vemos aqui chega perto da humilhação) favorecida por uma estrutura hierárquica rigorosa, acorrentando os próximos em torno da teologia de poucos que se dizem líderes, os quais muitas vezes não se importam em respeitar princípios bíblicos de, entre outros, salvação e liberdade.
Eis o fundamentalismo cristão demonstrado na defesa da obediência ao “líder” e da necessidade de interventores de um “estado” religioso.

No entanto, compreendendo que a vida com Deus é movida na intimidade com o próprio Deus, sendo um processo de crescimento pessoal e de ensinamento, entre outros, sobre a independência do homem perante o mundo (isso inclui todo e qualquer tipo de instituição – incluo a religião), da superação do pensamento sentimentalizado e superficial, da busca pessoal pelo acerto de contas íntimo com o Espírito Santo, que tudo sonda, do crescer lá nas orações à portas fechadas do próprio quarto, como diz em Mateus 6:6. Acredito que:

  • A doutrinação deveria estar voltada ao entendimento de que o homem vive só, diante do mundo à sua volta, posto que tudo é efêmero, a não ser o próprio Deus. Mt 24:35.
  • O mundo, por sua natureza humana, está passivo de erro. Por isso não merece confiança cega. Jr 17:5
  • O verdadeiro sentido da palavra religião significa uma ligação entre o homem e Deus – sendo portanto seu desligamento às instituições que o aprisionam ao mundo. Rm 8:21
  • A vida é uma compreensão íntima de liberdade e salvação, que são aplicações estritamente pessoais. At 7:25/II Co 3:17
Enfim, quando entendemos que o sacrifício de Cristo na cruz teve o objetivo de nos dar poder de decisão perante às amarras do mundo - que é o pecado em si - percebemos o valor da Liberdade que nos foi presentiada. E assim compreenderemos que o plano da salvação é mais extenso do que imaginamos, mais ainda, que a salvação é um tema complexo, que se inicia na Liberdade do homem.

Tanto é verdade o que agora digo que apesar da morte na cruz, muitos não serão salvos simplesmente pela negativa da proposta de Cristo como único caminho de encontro com O Pai, sem dizer ainda daqueles que mesmo aceitando este sacrifício não serão salvos por culpa de aprisionamentos incorretos durante a vida – vejo que o preço pago por Cristo na cruz foi alto demais para que eu me acorrente novamente.

Assim, digo que aceitar a liderança aprisionante de alguns “líderes” inconseqüentes é cuspir na cruz e voltar para as correntes, escolha mais fácil e cômoda, por ser deveras "complicado" para uns e extremamente frustrante para outros saber que a vida é conseqüência das escolhas pessoais. Devendo então, nos cuidados do entendimento e da sabedoria, haver equilíbrio suficiente para que não se atire à auto-destruição, o que nos exige cuidado, aprimoramento constante e muita responsabilidade – nisso talvez tenhamos a honra de conhecer uns poucos Líderes de verdade, levantados por Deus em nossas vidas, os quais nos ensinarão a sermos verdadeiramente Livres.
______________________________

Neste contexto observo que a noiva de Cristo sofre de má alimentação (I Co 11: 29 - 30), pois enquanto alguns comem para seu próprio regozijo, outros nada têm para suporte de suas necessidades.
O primeiro, por deter alguma condição ou conhecimento mínimo que o diferencie dos próximos, o usa para seu próprio deleite e, à medida que os outros observam o seu caminho rumo à “santidade”, subjuga todos os “seus” próximos à esta falsa imagem de Cristo, restando aos “menores” que apenas o sigam cegamente. Enquanto isso, os “menores do corpo” nada recebem de instrução para que compreendam que por si próprios devem encontrar a Cristo, com parâmetros meramente fundamentados no respeito aos Princípios Bíblicos.
Ou seja:

  • Os primeiros se alimentam em nome de uma posição que julgam ser o instrumento de Deus ao “Ministério da vida dos outros”, e estes nada comem enquanto vivem para sustentar os primeiros e seus “Ministérios de liderança”.
  • Estes permanecem cegos, pois aqueles acreditam que a liberdade de pensamento é perigosa por vez que a lucidez da auto-determinação poderá levar a “perdição” da alma nas possibilidades de desvio do padrão religioso.
Concluo que, no padrão de Deus, Líder liberta e ensina como andar sozinho. Segundo o mundo, líder aprisiona os liderados em torno de si e os comanda.

À Ceia (igreja), uns são verdadeiros glutões que não sabem comer apropriadamente, outros raquíticos que não sabem comer por si próprios, ambos indignamente sentados à mesa, gerando por isso os muitos que entre NÓS são fracos e doentes, e não poucos os que dormem. Assim, saiba o homem examinar a si próprio (logicamente que segundo o fundamento da Fé que nos foi dada através da Palavra de Deus), e então participemos da ceia do Senhor, ou seja, que os homens, conscientes de nossas individualizações e particularidades, sejamos unidos unicamente pelo AMOR de Cristo e comemoremos as bênçãos dadas por Ele mediante aquele sacrifício na cruz, nos fazendo Livres das correntes do pecado – e que maior pecado não é a escolha por viver acorrentado, negando a Liberdade dada por Cristo?

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados;quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo.

20 December, 2005

Ao Próximo Ano

Terminar um ano é voltar à vergonha de tantos objetivos frustrados.
Mas agora será diferente, prometo.
- Vou escolher eu mesmo o que devo perder.

E das escolhas que faço hoje,
decido por deixar de lado as meras opções corretas,
a decepcionar as muitas pessoas certas
e a abandonar os objetivos mais importantes.

Quero os destinos menos rigorosos,
Dos caminhos os mais belos portos.
Desistirei de todos os projetos que eu puder,
Enfim terei coragem de perder.

Prometo que os amigos mais amados serão todos esquecidos,
Que as intenções (boas e más) estarão bem definidas.
E os desejos, bom os desejos farão tudo acontecer.

Tudo em nome do mais verdadeiro e concreto termo - ser simples.
(Caio Kaiel)

09 December, 2005

A Fantástica Visão do Céu

Não sei explicar como tudo aconteceu, lembro de poucos detalhes. Mas fato é, eu estive envolto a uma imensa luz. Continuamente, desde então, sinti uma paz incomparável a qualquer "boa" sensação que eu tivesse sentido nalgum dia de minha existência, aliás, demorou para eu lembrar que tive uma “vida”, por isso eu posso afirmar que no céu todas as coisas perderam completamente os significados. Acabei ficando pouco tempo, pois uma "amável" intervenção médica terminou a melhor vida que tive até hoje, descrevo o que vi.

Finalmente lá estive eu deitado no imenso gramado perfeitamente verde. Perto de mim apenas algumas árvores e, no horizonte, o infinito céu multicolorido. Detalhe importante, estive sozinho - acredito até que fui para lá exatamente porque aprendi a viver sozinho sem ser solitário - quanta Bênção!

Não sei quanto tempo fiquei naquela contemplação, mas que insensatez minha, nem existia tempo lá, enfim, comecei a marcar as coisas pelas ações que eu tomava. Assim, Contemplei até levantar, depois andei sem rumo, apenas isso. O que eu queria era conhecer o que tinha pra lá do infinito; alvo fácil de ser atingido, bastou eu querer, e fui.

Pra lá do horizonte eu vi uma imensa construção, mais do que isso, uma exagerada de uma imensa construção. Nela uma enorme porta de alguns quilômetros de altura, por outros tantos de largura – aberta, obviamente.
Adentrei num saguão magnífico, adornado de diamantes e de outras pedras que não conheço, além disso, muito mármore (o que me fez rir exageradamente, pois no céu tem mármore italiano).
Distanciei muitos horizontes da porta até encontrar uma mesinha, sim, isso mesmo, uma mesinha com um computador (acredito que era um Aplee já amarelado, mas funcionava muito bem. Do lado de lá da mesinha havia uma senhora de baixa estatura, cujo nariz equilibrava um imenso óculos sem lentes, foi o que percebi, juro, ops... ninguém jura.

Aproximei-me da senhora e a primeira dificuldade foi puxar uma conversa, na terra eu costumava dar bom dia nas aproximações, e agora? Não tem dia no céu... Resolvi tudo apenas dizendo: Aleluia!
A senhora olhou e disse – “rapaz de sorte, é segunda-feira, por isso estamos tranqüilos... se fosse sexta ou sábado você estaria vivendo sua 'primeira' eternidade numa fila.” – “você sabe seu nome?”... Meu nome é Caio, logo respondi. Contudo, ela se referia ao outro nome que eu receberia no céu... as coisas estavam começando a fazer sentido e eu me assustava dizendo – “não é que a Bíblia estava certinha mesmo!?”.
Depois disso a senhora começou a digitar, rápido e olhando por baixo dos óculos, quase que sem respirar, até que ela parou, olhou fundo nos meus olhos e disse:

“Qual é o CNPJ?”
Clique aqui

29 November, 2005

O Inteiramente outro

Cristo ouviu meus gritos na multidão - Morte! - Eu custi na face dEle, eu bati em seu rosto, o escarneci... e Ele? Ele me Amou mais ainda. Hoje eu sei que, naquele momento, Cristo apenas guardou silêncio e sonhou com o dia de hoje, no qual espero poder vê-lo novamente para beijá-lo e me esconder num eterno colo Apaixonado.
Caio Kaiel

14 October, 2005

O sentido da Quietude



É da essência do homem BUSCAR a resposta, por sua vez, é da essência de Deus SER a resposta.
Eis o conflito da alma: BUSCAR é pergunta, gera movimento, existe na inquietude, é estar, ser constante mudança.
Por outro lado, o SER, como resposta, exprime solução, é imutável, se basta como algo que já é.

O problema, então, não é saber as respostas, pois elas estão claras e postas a nossa frente, por um Deus que não se deixa parecer obscuro - o problema é SER a resposta, no sentido de vivê-la.
__________________________

O mundo procura respostas. Nós procuramos respostas. E continuamente lutamos na ansiedade gerada por nossa natureza humana inconstante e viciada em BUSCAR “algo”. Contudo, quando olhamos para dentro de nós mesmos, conseguimos ver que ainda corremos na direção do que já temos, seja nas mãos, seja nas Palavras de Deus. Se ainda faltam respostas, procure sim, corra com o desespero e ansiedade a que temos direito exatamente por sermos humanos – para muito ainda corro, mas o desejo hoje é pelo viver as respostas, e não apenas O busca-las.

04 May, 2005

TEMPOS DE BATALHAS

Repostando: Pensar que escrevi este texto há mais de cinco anos (05/05/2005), parece que foi ontem, porque jamais me esqueci da mensagem.
Boa leitura:

De um lado a outro o que se vê é a muralha que se põe em nosso caminho. Tantos outros tentaram lançar força, e no auge da tantas batalhas, ela permanece lá, continuamente erguida em armações de pedras e sangue, intransponível, segura de si contra todos a quem fez chorar, no pó da frustração, a vergonhosa derrota da coragem.

Quase nada se vê do outro lado, apenas a sombra obscura do que teremos ao finalmente transpassa-la. Leite? Mel? Sim, e tudo mais prometido. Tudo que tenho é a certeza destas coisas. Além disso, em meus olhos continua um olhar, não no muro, mas nestas promessas, que ainda ecoam nos meus ouvidos, promessas de vitórias, de uma terra de liberdade e crescimento.

Eu aproveito para sentir cada instante diante daquela parede, deixo o tempo fluir ainda medindo cada centrimetro e cada detalhe de tamanha magnitude a minha frente, no entanto, permaneço imóvel ainda deixando o peso da espada acostada ao chão.

Em minha mente, ainda ouço a voz do meu Comandante. Ela traz uma estratégia detalhada para nossa então iminente missiva – “sete voltas dareis em torno da muralha, no sétimo dia então tocarás as cornetas e aos gritos dos soldados derrubarei as muralhas”. Desta maneira eu procuro me concentrar apenas naquela voz e procuro confiar na dádiva pessoal de ainda estar vivo e disposto a cumprir as ordens do meu Senhor.

Ao mesmo tempo, tento deixar de pensar nos tantos outros que investiram armas bem mais eficientes que as nossas e acabaram morrendo aos pés de Jericó. Quantos já caíram em tentativas fracassadas de suas próprias mãos em derrubar este muro? Todos foram derrotados pela própria coragem e porque não dizer, pela própria ousadia.

Assim, revelo-me a entender que um homem verdadeiramente corajoso sabe ouvir a voz de seu Comandante e entrega-se a morte, se necessário, para cumprir a ordem proferida, e luta para manter-se fiel aos detalhes minuciosos que lhe foram confiados. Um homem de guerra não tem valor em si mesmo, não luta por si, mas para um povo, na força de seu Comandante.

Meu silêncio repentinamente é quebrado pela chegada dos últimos homens que acompanhavam a Arca do Senhor em torno da muralha, conforme o plano de ação ordenado. Sei que a minha próxima ordem precisa ser clara e firme, apesar de um tanto extraordinária, mas eu sei da confiança do povo já acostumado a acontecimentos inusitados e os soldados estão tão confiantes que já aguardam posição para o ataque além da muralha. Um comandante qualquer acharia tudo loucura, e cá estamos nós, prontos para esperar o agir Milagroso de Deus tocando cada pedra do muro a nossa frente.

Também percebo que próximos a mim posicionam-se os sacerdotes escolhidos para tal investida. A postura deles parece a de verdadeiros heróis de batalhas, e realmente têm sido. Logo me pergunto, que outro povo teria os sacerdotes como heróis de batalhas? Com certeza meu Senhor é extravagante, pois serão eles os instrumentos a derrubar as muralhas. É realmente interessante pensar que todos os braços fortes que agiram contra aquela muralha haviam sido quebrados, mas aqueles braços sacerdotais serão os braços que derrubarão, em Deus, aquela altiva muralha.

Aos poucos, e em uníssono, ouvem-se os primeiros toques que se somam e mostram-se ensurdecedores. Tão logo ouvimos os toques das trombetas, sinto o calor de uma energia superior se movendo dentro de mim, como se eu fosse realmente explodir, até que decido liberar tamanha energia com um primeiro grito, que se é seguido de milhares iguais aos meus. Abaixo dos nossos pés sentimos todos o chão tremer – é a queda da muralha, que parece uma avalanche de pedras sobre a cidade.

Aos poucos vejo uma nuvem de poeira subindo pelo solo machucado pelas pedras que caem. Rapidamente percebo - a muralha estava vencida ao chão, envergonhada em si mesma, humilhada perante o meu Senhor, o Senhor dos Exércitos que abriu passagem ao seu povo, que num brado de ataque, avança sobre a muralha caída a finalizar sua Vitória. Novamente eu vejo a Glória de Deus sobre este povo confiado a minha mão, e percebo que realmente é um povo Glorioso como aquele que os escolheu. Certamente, em sua história, Jamais uma muralha ou dificuldade qualquer será suficientemente intransponível para eles. Simplesmente sei disso.

28 March, 2005

Não tenho mais nada a perder!

(Fil. 3:7-8)
Tenho por perda todas as coisas frente à supremacia que é o Conhecimento de Cristo - ou seja, para conhecer a Cristo, eu prefiro considerar que tudo o que tive na vida até hoje e tudo o que me faz ser e pensar como sou hoje é esterco (como disse Paulo). Pois eu prefiro a Justiça que vem pela Fé em Deus, que é melhor que a Justiça que vem pelas minhas mãos.


Isso quer dizer, por mim mesmo eu posso ter grandes resultados, mas em Deus é diferente (Fil 3:4-6). Em primeiro lugar eu deixo todas as pretensões, sonhos e projetos - tudo é Segundo Plano - são desejos do que um dia foi o Caio. Agora eu prefiro me dedicar em realizar do sonhos de Deus como Pessoa que Ele é.


Quais são os sonhos de Deus? Resposta: A Salvação - ou seja, eu trabalho, estudo, tenho coisas nas minhas mãos, mas nisso tudo o único objetivo é ser expressão da Glória de Deus aos homens, o mais é projeto de Deus - e como Ele efetua tanto o querer quanto o realizar, tudo é obra dEle apenas (Fil.2:13-16)... Estou tendo que aprender a estar tranqüilo em todas as situações... é duro e dói - mas é assim porque eu ainda tenho apegos a estas coisas... quando eu finalmente morrer para as minhas pretensões, não sentirei mais dores... afinal, morto não sente dor, não é verdade?


Objetivo! Aprender a largar mão das minhas concepções, explicações e motivações... deixar de lado os sonhos e projetos de uma família, profissão, casa, cachorro e etc... pela Maravilha que é o Conhecer a Cristo - com isso me dedicar aos Sonhos dEle (Mateus 6:24-33)...


No dia em que eu estiver livre das "amarras" que me prendem mim mesmo e, por consequência, me separam de Deus, Ele vai realizar meus sonhos - mas isso agora é com Ele, e exatamente em Sua Vontade, Tempo e Modo de Concretização - sem falar que também as coisas acontecerão se ELe assim quiser... pois eu estou tento que aprender a viver no querer dEle, apenas (Fil. 3: 9).


Isso remete não a uma condição passiva na vida, ao contrário, me ensina a viver intensamente o hoje apenas, pois este dia agora é proposto por Deus e devo aproveita-lo no melhor que posso. Ou seja, alegre ou triste, este dia esta em minhas mãos como um projeto de Deus em cumprimento, e devo vivê-lo, não para o amanhã obscuro ainda, mas para o este momento proposto. "basta a cada dia o seu mal"(Mateus 6:34)

27 October, 2004

FIM

Um grão cai na terra e morre. Veja, a morte faz parte dos planos de Deus e se você quer entender o início e o desenvolvimento das coisas, deve procurar entender o fim último dessas coisas. Tudo que nasce irá morrer um dia, é fato e se você nunca se deu conta disso, leia novamente este parágrafo, ele é real.
Portanto, é sábio viver consciente sobre o final das coisas, sem apressa-lo, apenas saiba que no tempo certo, o fim acontecerá como conseqüência natural da existência. Não que a vida exista para um término, mas que este chegará, independente do que tenha sido o tempo de existência. Entenda, só Deus é eterno.
Já aprendi que uma pequena parcela das coisas que sonho se tornam realidade um dia, além disso, uma parcela ainda menor dos sonhos que se tornam realidade serão brotos que se tornarão árvores. Pior, das árvores do meu jardim, nem todas as árvores darão frutos.
Saiba, seus sonhos são como sementes e assim devem ser tratados. Ou seja, devem ser lançados à terra para que morram, nesta morte é que os frutos nascerão. Depois, darão novas sementes, que também morrerão para que outras árvores existam. Assim eu vejo a obra de Deus, não como uma transformação instantânea de resultado estanque. Deus age na sua vida em processos de nascimento e morte, início e fim. Vejo explosões cíclicas, gerando constantes transformações com apenas um objetivo – aprimoramento -, forjando o caráter firme e constante de Deus, não importando os momentos. Apenas uma maneira de viver, a constante. E nas turbulentas variações da vida, você estará caminhando tranqüilo, na mesma direção, sem mudar o foco do seu olhar.Pode até parecer, mas não estou escrevendo sobre tristeza e lágrimas, pois, nas mãos de Deus, todo fim trás em si um novo nascimento. Que árvore existiria se para isso aquele grão não tivesse caído à terra e morrido? É esta a mensagem de Deus para você.
(CONTINUA)

23 July, 2004

As Bodas de Caná

João 2: 6 “Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas2:7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima. 2:8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.2:9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo 2:10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho”.

Acontecia uma comemoração naquele lugar, posso ver pessoas brindando e se alegrando com o ocorrido e não consigo imaginar uma comemoração especial como aquela sem um bom vinho e, naquelas bodas, ele havia acabado ainda durante a festa. Surpreendentemente Jesus dá mais vinho a comemoração, provavelmente mais de 500 litros de altíssima qualidade. No entanto, a prova do milagre é bem maior do que a simples transformação da substância.
Jesus ordena que vasos (talhas) fossem cheios de água. Aquelas vasilhas eram objetos cujo objetivo era a purificação, eram objetos especiais de utilização sacra. Jesus poderia ter pedido as vasilhas que já haviam servido o vinho que acabara, Ele estaria renovando por completo todo o vinho da festa, mas Ele pediu as talhas. Ordenou que as talhas fossem cheias de água. Acredito que Jesus poderia ter feito o simples Milagre de aparecer vinho naquelas vasilhas, mas Ele mandou que as pessoas ali enchessem as talhas de água, como normalmente usado para a purificação. Em seguida transformou aquele conteúdo em vinho e mandou ao responsável por servi-lo.
Observando, percebemos que Jesus utiliza objetos santos naquele milagre. Com certeza Ele não tinha a intenção de profanar o objeto de santificação, nem sequer pensava em produzir vinho com objetivos mundanos (bebedice) naquela festa. Ele transformou água de santificação em prazer e deleite, sem profanar sua transformação. Não creio que dEle tivesse saído algo ruim em desrespeito ao Santo, e com frutos malignos. Ou seja, a obra foi perfeita e bem mais profunda do que podemos apenas ler na passagem. Nesta oportunidade Deus mostra o desejo dEle pelo nosso crescimento espiritual sim, mas sem esquecer do prazer santo em nossas vidas. Sim, pelo despertar santo de viver em prazer de vida, na excelência da vida cristã.
Contudo, isso acontece quando recusamos o “nosso” vinho, ou quando ele acaba (às vezes no meio da festa), importa sim recusar ou deixar que ele se esgote. O primeiro vinho servido foi o vinho da vontade na comemoração, o vinho da paixão. Com certeza era o melhor vinho que eles tinham, mas este vinho acabou naquele momento. Quantas vezes estamos “felizes” por algo que acontece em nossas vidas e em dado momento o “vinho acaba”, Deus fala que se o vinho acabou é porque não vinha de Suas mãos, nada exatamente maligno, apenas que aquilo que você vivia não tinha origem em Deus e sim no seu projeto individual de “felicidade”. Quando o vinho acaba é o momento ideal de pedir a Deus Sua intervenção. Deus, meu vinho acabou! Neste momento Deus irá tirar de você todo resquício ainda daquele vinho e te dar um vinho novo, purificando suas intenções e sua alma. E quando nada mais de você estiver no vaso Ele se encarregará de fazer a obra perfeita.
Em primeiro lugar, Jesus ordena hoje que sua talha seja cheia de água para purificação – POR VOCÊ. Ele exige que você se encha da água de purificação e se santifique, que rejeite o vinho que você está bebendo hoje e pegue água. Isso exige obediência irrestrita, afinal, ninguém preferirá beber água para o brinde.
Como prova do Amor dEle pela sua FELICIDADE e pelo seu PRAZER nesta vida, Ele transformará a água da santificação em vinho excelente, prazeroso, que não deixa de ser santo. Perceba que o novo vinho tem origem no milagre de Deus em sua vida, como fruto de santificação e obediência. Saiba ainda que este novo vinho será muito superior ao vinho que você achava ser bom e que acabou, pois a obra de Deus é Maravilhosamente agradável.Então, seja qual for o vinho que você bebia, rejeite-o, se ainda não acabou, jogue-o fora. Hoje Deus quer dar vinho melhor. Pegue água e com ela se santifique, obedeça a voz dEle como direção e não duvide, esta água de purificação, a seu tempo, será transformada em vinho perfeito, o melhor sequer imaginável, mas que o próprio Deus garante para você hoje, o melhor que você já provou.